noahloren

joined 1 year ago
[–] noahloren@libranet.de 3 points 1 week ago (1 children)

@Peruvian_Skies

Sim, o mais bizarro é que há áudios de um dos envolvidos solicitando orações pela melhora da saúde da jovem (que eles mesmos estavam adoecendo)!?

 

Adolescente torturada até a morte comia restos de comida dados a animais e dormia no chão, diz polícia

Marta Isabelle comia restos de comida que eram dados aos animais, dormia no chão e era amarrada com fios na cama para não sair do quarto. Adolescente também era privada de água para beber ou de qualquer tipo de higiene.

De acordo com informações da Policia Civil de Rondônia, a adolescente Marta Isabelle, de 16 anos, comia restos de comida que eram dados aos animais, dormia no chão e era amarrada com fios na cama para não sair do quarto. Segundo as investigações, ela era mantida em cárcere privado e sofria torturas dentro da casa onde morava com o pai e a madrasta.

➡️ Contexto: A adolescente Marta Isabelle foi encontrada morta em Porto Velho (RO) pela polícia deitada em uma cama, coberta por um lençol e usando fralda descartável. O laudo inicial indicou que ela estava desnutrida, tinha ossos expostos, ferimentos cheios de larvas e marcas indicando que ela passou dias imobilizada.

Os suspeitos são:

Callebe José da Silva, o pai

Benedita Maria da Silva, avó paterna

Ivanice Farias de Souza, madrasta

Segundo a polícia, a jovem estava há cerca de dois meses sendo mantida presa dentro de casa. A delegada Leisaloma Carvalho informou que a adolescente permaneceu imobilizada por um longo período e apresentava lesões com presença de larvas no momento em que foi encontrada.

Além de ser obrigada a comer restos de comida, Marta era privada de água para beber ou de qualquer tipo de higiene. O ambiente em que o corpo foi encontrado, era considerado insalubre e segundo a polícia, a família teria tentado eliminar vestígios da situação ao atear fogo em roupas no local.

O pai e a madrasta serão indiciados por feminicídio, tortura com resultado morte, cárcere privado, maus-tratos e omissão de socorro. De acordo com a polícia, a madrasta tinha conhecimento dos fatos e também participava das agressões.

“Ela praticava agressões, deixava a adolescente dormindo no chão, sem qualquer tipo de coberta, dava restos de comida que até os animais comiam, cortava o cabelo da vítima de forma bem curta e demonstrava ciúmes”, afirmou a delegada.

Ainda de acordo com a delegada Leisaloma, o pai da adolescente foi descrito como ciumento. Ele retirou ela da escola há quase três anos sob o argumento falso de que iria transferi-la para a Paraíba e, desta forma, isolou a Marta de qualquer convívio social.

A Polícia Civil informou que continua analisando os elementos do caso para desvendar todas as circunstâncias da morte da jovem.

O g1 tenta localizar a defesa dos suspeitos.

Quem era Marta?

Conhecida pela família como Martinha, Marta Isabelle dos Santos, de 16 anos, gostava de cantar na igreja e sonhava em terminar os estudos. A adolescente morava com o pai e a madrasta em Rondônia, enquanto o restante da família vive na Paraíba.

Em entrevista ao g1, a tia de Marta contou que a jovem nasceu na Paraíba e, ainda criança, foi morar com o pai em Rondônia. Segundo ela, a última foto com a sobrinha é de agosto de 2020. Desde então, o contato entre elas diminuiu.

Um vídeo divulgado nas redes sociais de uma igreja mostra a adolescente cantando durante um culto. De acordo com a tia, esse foi o último registro em vida ao qual a família teve acesso (veja acima). A tia afirmou que a jovem era querida por todos e que ninguém tinha conhecimento das agressões.

“Martinha era muito amada. Sonhava em estudar, terminar os estudos e construir um futuro. Nada justifica o que fizeram com ela”, disse.

Fonte:

https://g1.globo.com/ro/rondonia/noticia/2026/03/05/adolescente-encontrada-morta-comia-restos-de-comida-dado-a-animais-e-dormia-no-chao-diz-policia.ghtml

@noticias

#Noticias #News #Feminicidio #Rondônia

 

Povo Guarani-Kaiowá é atacado por fazendeiros, policiais e governo no Mato Grosso do Sul

30 de setembro de 2025

Douglas Soares | Redação MS

BRASIL – No último dia 21 de setembro, os indígenas Guarani-Kaiowá retomaram a Fazenda Ipuitã, sobreposta à Terra Indígena (TI) Guyraroká, em Caarapó, para impedir pulverização de agrotóxicos e exigir a demarcação da área, que segue travada desde 2011 pelo STF. A prática de pulverizar veneno sobre terras e aldeias é recorrente, denunciada como genocídio continuado, como publicado no texto Povo Guarani-Kaiowá resiste em Douradina (MS) de setembro de 2024 do Jornal A Verdade.

Na segunda-feira (22/9), a PM atacou a retomada. A Funai foi acionada, mas se recusou a enviar servidores, alegando falta de estrutura e risco. Na ausência da Funai, a Tropa de Choque realizou despejo sem ordem judicial, enquanto a Força Nacional nada fez. A Funai vergonhosamente só apareceu após o ataque.

Este foi o primeiro de uma série de ataques. Após o despejo ilegal, a comunidade deu 48 horas para os ruralistas suspenderem a pulverização. Sem resposta, voltou a ocupar a fazenda, sendo recebida a tiros por jagunços. Dois indígenas foram sequestrados e levados à sede da fazenda, sendo libertados após intervenção da comunidade.

Já a retomada Ñundi´a Ry Passo Piraju, na TI Dourados-Amambaipeguá III, em Porto Cambira, também no município de Caarapó, foi atacada a partir de terça (23/9). Sob o pretexto de “combater o tráfico”, o DOF e a Tropa de Choque cercaram a área e dispararam contra os indígenas. Desde então, ataques se alternam entre Guyraroká e Passo Piraju.

Em Guyraroká, destruíram o acampamento, enterraram comida, ferramentas, colchões e até dois cachorros vivos. “Isso pode ser um experimento: primeiro fazem com os animais, depois conosco”, relatou um membro da Comissão de Direitos Humanos ao CIMI (Conselho Indigenista Missionário).

Há quatro feridos, entre eles uma grávida de seis meses que passou mal com bombas de gás vencidas, inclusive sendo uma prática constante da PM-MS, como ocorrido em outras situações. O caso mais grave é de um homem baleado com tiros de borracha à queima-roupa. Ele se recusa a ir ao hospital devido ao histórico de racismo e prisões contra indígenas que buscam atendimento, como destacado pelo CIMI.

Enquanto isso, rádios locais incitam ódio e convidam a população a assistir aos ataques “de camarote”, num espetáculo de violência que lembra a Palestina, onde colonos nazi-sionistas fazem da barbárie um show.

A conciliação do Ministério dos Povos Indígenas não deve ser aceita

Nos dias 25 e 26/9/2025, o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) reuniu-se emergencialmente com lideranças Guarani-Kaiowá, entidades indigenistas, órgãos de direitos humanos, Governo do Mato Grosso do Sul e a Secretaria de Justiça do MS. Ficou evidente a falta de preparo do MPI diante da gravidade da situação. Não houve enfrentamento aos crimes da PM-MS e da Secretaria de Segurança, comandada por Antonio Carlos Videira, indicado pelos governos dos ruralistas Reinaldo Azambuja (PSDB) e Eduardo Riedel (PSDB).

Vale destacar que a Polícia Militar não pode atuar de forma autônoma em terras indígenas ou retomadas, pois a retirada de indígenas depende de decisão da Justiça Federal, dado o interesse da União, e jamais para cumprir reintegrações sem mandado. Mas isso pouco importa para a Secretaria de Segurança Pública do MS, que viola tais questões com frequência.

Porém, o maior absurdo estaria por vir durante a própria reunião de quinta (25). Foi que, enquanto ocorria a reunião, helicópteros da PM e do DOF atacavam a TI Guyraroká. Nem durante a “conciliação” os ataques cessaram.

Além disso, o MPI, mesmo destacando a Força Nacional para estas situações, sempre o faz em número insuficiente, e só é destacado maior contingente após dias de graves violações. Na maioria das ocasiões, é uma viatura para duas retomadas. E a Força Nacional tem sua atuação muitas vezes apenas quando é conveniente, sendo seus agentes frequentemente coniventes com os ataques ilegais de jagunços e PM.

Ao fim da reunião, o MPI firmou acordo com o Governo Estadual. Mas como confiar, se enquanto se dialoga a PM continua atacando? Como esperado, no domingo (28), a tropa de choque voltou a agredir a comunidade em Guyraroká.

Segundo fontes anônimas, a solução proposta é oferecer terras próximas a Anaurilândia aos fazendeiros, em permuta. Ou seja, prova de que o crime compensa. O latifundiário ocupa, intoxica e destrói, e depois é recompensado com novas terras. Essa é a “dura” vida dos burgueses e latifundiários brasileiros.

A conciliação com o agronegócio

Caso essa medida de conciliação com o agronegócio ocorra, não será um caso isolado. Ao final de setembro de 2024, Governo Federal, Governo de Mato Grosso do Sul e fazendeiros firmaram, no STF, um acordo de R$ 146 milhões para indenizar “pelas benfeitorias” e pela terra nua os ocupantes da Terra Indígena Nhanderu Marangatu, do povo Guarani e Kaiowá. Só após a assinatura, o Estado restaurou o decreto de homologação suspenso desde 2005 em virtude de uma decisão monocrática do ministro Nelson Jobim. O território, marcado pela luta e violência, incluindo o assassinato de Marçal de Souza (1983) e, em 2024, de Neri Ramos da Silva, executado pela PM-MS em 18 de setembro.

Embora o STF tenha reconhecido em 2023, no julgamento do marco temporal, a indenização por “evento danoso”, condicionou sua aplicação a critérios como análise da boa-fé na ocupação e ausência de esbulho indígena, além de procedimento próprio ainda não regulamentado. No entanto, o acordo de 25 de setembro de 2024 ignorou essas exigências, criando insegurança jurídica e legitimando práticas que desconsideram décadas de violência, destruição ambiental e violações sofridas pelos Guarani e Kaiowá.

Na ocasião, o Governo Federal cravou como vitória dos povos indígenas, mas não havia nada a se comemorar, com a comunidade Nhanderu Marangatu em luto, sem a devida participação na negociação. E com um precedente perigoso criado para beneficiar quem só levou destruição ao povo Guarani Kaiowá.

Conciliação não é solução

Após os recentes ataques da Polícia Militar do MS contra retomadas e Terras Indígenas, o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) segue numa linha conciliatória com o agronegócio e o Governo Estadual, comandado pelo latifundiário fascista Eduardo Riedel.

A criação do MPI foi um grande acerto do Governo Lula, fruto de uma demanda histórica dos povos indígenas, algo impensável em governos fascistas como o de Bolsonaro. No entanto, a postura atual do ministério é insuficiente diante da brutalidade das contradições no campo brasileiro, revelando que a solução real só virá por meio de um processo verdadeiramente revolucionário no Brasil.

Por isso, é necessário que o MPI urgentemente quebre com a sua linha conciliatória, responsabilize o governo do estado e seu secretário de segurança que segue a cartilha das SS. Que avance com urgência na discussão de inconstitucionalidade do Marco Temporal e não coloque na pauta do dia a indenização de perpetradores da violência.

Além disso, essas contradições só reafirmam o que os comunistas sempre avisaram, não é possível servir a interesses antagônicos, ou se está com o povo ou se está com a burguesia. Por isso, saudamos a luta do povo Guarani Kaiowá, que sabe que só o povo organizado em luta podemos transformar nossa realidade. Por isso, afirmamos que só seremos livres e soberanos com um governo revolucionário dos trabalhadores.

Fonte:

A Verdade

@noticias @bunkerdaesquerda @comunismo

#Noticias #Indigenas #Guarani #Kaiowa #GuaraniKaiowa #Brasil #AVerdade #A Verdade

 

Trabalhadores trancados em maior centro de processamento de algodão do Benin denunciam ‘falsa industrialização’

Relatos revelam precariedade nas condições de trabalho na Zona Industrial Glo-Djigbe, ligada ao governo de Patrice Talon

Trabalhadores trancados para dentro da fábrica, sendo obrigados a fazerem horas extras para terem o direito de sair do local. Essa realidade chocante não diz respeito a uma pequena fábrica, mas sim ao maior centro de processamento de algodão do Benin, país da África do Oeste.

Criada em 2020, a Zona Industrial Glo-Djigbe, popular GDIZ, é um vasto distrito industrial a 45 quilômetros de Cotonou, a capital econômica do país. O parque é fruto de uma parceria entre o governo do Benin e a Arise IIP, criada pelo magnata indiano Gagan Gupta, ex-diretor e membro do comitê executivo da Olam, gigante do agronegócio mundial.

O episódio ocorreu em 9 de maio deste ano. Quase cinco meses depois, o Brasil de Fato conversou com alguns dos trabalhadores que participaram do protesto após serem trancados. Eles ainda trabalham no complexo e não quiseram ser identificados.

“Era o turno que trabalhava das 15h às 23h45. Eles terminaram de trabalhar às 23h45, precisavam voltar para casa e os gerentes disseram que eles teriam que fazer mais duas horas extras, o que significa que eles continuariam chegando à 1h45 da manhã antes de voltar para casa. Não há segurança na estrada. Eles não informaram aos pais ou às famílias que voltariam depois da 1h da manhã”, revela um dos operários.

“Então, os colegas se recusaram a fazer horas extras a mais, e por isso foi dado a ordem para a segurança bloquear o portão, dizendo que todos deveriam fazer as horas extras, que era uma demanda urgente e que seriam obrigados a fazer essas horas”, completa.

“Quando a mão de obra é escrava, o país não ganha nada”

A criação do parque industrial veio do desejo do Presidente Patrice Talon em transformar o “ouro branco” localmente, impulsionando a produção e a exportação de roupas 100% beninenses. Na GDIZ, é transformado cerca de 40 mil toneladas de algodão por ano, segundo a empresa, além de sete a dez milhões de peças de vestuário por ano.

O Benin disputa com o Mali o título de maior produtor de algodão da África. O país exporta principalmente fibras brutas para processamento no exterior para países como Bangladesh e China, os maiores exportadores mundiais de vestuário.

De acordo com dados do Programa Regional para a Produção Integrada de Algodão na África, o país da África do Oeste deverá produzir 669 mil toneladas de algodão durante a temporada 2024-2025.

Essa “revolução industrial”, no entanto, é contestada por Nagnini Kassa Mampo, Secretário Geral da Confederação Sindical dos Trabalhadores do Benin.

“Talon criou a zona industrial de Glo-Djigbe, onde estão instaladas empresas estrangeiras que fabricam produtos para o exterior e não para o Benin, talvez numa percentagem reduzida, mas a maior parte é para o exterior. Ele criou as condições para favorecer essas empresas estrangeiras que certamente vão fazer concorrência desleal nos seus países, porque aqui têm mão de obra gratuita a 52 mil francos CFA, que nem sequer é suficiente para todo mundo”, explica o sindicalista.

Segundo o relato de Mampo, durante um período de 17 anos as empresas que atuam na GDIZ estão isentas de pagar taxas alfandegárias.

“Isso não é a industrialização do país. A industrialização do país significa que as indústrias pertencem ao país. É para o país que as pessoas trabalham, E, na verdade, a mão de obra lá não é uma mão de obra normal, é uma mão de obra escrava e, quando a mão de obra é escrava, o país não ganha nada”, afirma o dirigente.

Calor extremo e renda insuficiente
Esse outro trabalhador da GDIZ foi atraído pela promessa de salários de 100 mil francos CFA. Hoje ele recebe 52 mil francos, o equivalente a R$ 495.

Pai de dois filhos, ele conta que o valor é insuficiente para cobrir as despesas básicas, como alimentação e aluguel, que, segundo ele, custa em torno de R$ 200 mensais. Para ele, esse salário mal dura duas semanas.

“Produzimos pelo menos 1 mil a 1.200 peças de roupa por dia. Quando você pega uma camisa polo, por exemplo, durante oito horas produzimos pelo menos 700, 800 ou até 900 polos por dia. E ainda nos obrigam a ir além e nos esforçamos todos os dias para melhorar a produção”, lamenta.

“As condições não nos convêm. O salário é insuficiente, as condições são miseráveis. Quando você chega, não consegue sair. Mesmo quando você tem uma emergência e liga dizendo que há uma emergência em casa, não é fácil deixar você sair. Nós não estamos em um campo militar. Você entende?”, completa.

Este outro trabalhador que também atua na costura de roupas detalha as condições do ambiente de trabalho, as quais ele chama de miseráveis. Entre as irregularidades, ele enfatiza o calor extremo no ambiente da fábrica e a ausência de cuidados médicos adequados.

“Colocam dois ventiladores para cerca de 50 pessoas, isso não adianta. Ficamos com muito calor com as máquinas ligadas. É um calor terrível. O calor pode matar as pessoas. Tem pessoas que abandonam por conta do calor”, relata.

“Eles vem apenas para aproveitar nossa força de trabalho. É isso que eu acabei entendendo. E isso não nos convém. As pessoas desistem todos os dias. Há recrutamentos todos os dias. Se você sair, alguém vai substituí-lo, porque no Benim a juventude sofre. Muitos não têm nem o que comer”, complementa.

A denúncia sobre o trancamento dos trabalhadores dentro da GDIZ foi exposta em um vídeo publicado na página do jornal La Flamme, ligado ao Partido Comunista do Benin, hoje uma das principais forças de oposição ao governo de Talon.

De acordo com os trabalhadores ouvidos pela reportagem em condição de anonimato, os dois funcionários que aparecem expondo a situação no vídeo foram demitidos dias depois.

A Confederação Sindical dos Trabalhadores do Benin relata que a supressão de liberdades democráticas e a perseguição de opositores é a tônica da governança do atual líder do país.

“Com os impostos e as taxas deste governo, a vida ficou cara, as pessoas estão morrendo de fome e, se protestam, são reprimidas, colocadas na prisão”, lamenta Nagnini Kassa Mampo.

O homem mais rico do Benin
Patrice Talon é presidente da República desde 6 de abril de 2016 e é considerado o homem mais rico do país. A fortuna avaliada em US$ 400 milhões foi construída justamente no setor do algodão, a partir da privatização de fábricas que antes pertenciam ao Estado.

Em 1990, seguindo as recomendações do Banco Mundial dentro do acordo de liberalização econômica implementado nos países da África do Oeste, Talon ganhou o mercado de implantação de três indústrias de descaroçamento do produto no país.

Após a eleição presidencial de Thomas Yayi Boni, um banqueiro de orientação pró-mercado, em 2006, a influência do magnata e atual presidente na economia do país aumentou.

Dois anos mais tarde da eleição de Boni, em um momento de queda dos preços internacionais do algodão, Talon ganhou a licitação para a privatização de toda a divisão algodoeira da Sociedade Nacional de Promoção Agrícola, a Sonapra, a principal empresa do estado do Benin no setor.

Nesse momento, o empresário passou a ser o proprietário de 15 das 18 usinas de processamento existentes no país, uma posição de quase monopólio.

“Tiraram as fábricas do Estado e deram para ele. Foi assim que ele enriqueceu até se tornar bilionário. E, hoje, quando se tornou presidente, ele tem o monopólio de todo o setor privado e agora também do público, então continua a enriquecer. Ele diz que não é mais o chefe, quando na verdade ele ainda é o chefe, porque deu as coisas para seus amigos e seus parentes. Mas essas pessoas trabalham para ele”, explica Mampo.

Expansão de zonas industriais público privadas na África

Em um encontro com empresários franceses em 2022, Patrice Talon destacou as reformas implementadas para atrair investimento estrangeiro ao país. Sob aplausos, ele destacou a flexibilização das leis trabalhistas e as restrições ao direito de greve.

“Fizemos algo notável. Flexibilizamos bastante as regras, a legislação trabalhista. Eu diria até que desregulamentamos totalmente o ambiente de trabalho. No Benin, você pode empregar alguém com contratos por tempo indeterminado” destacou o chefe de estado do país.

Sobre o direito à greve, Talon declarou que ela é “proibida em alguns setores vitais” e disse, face aos empresários franceses, que ela “é limitada a no máximo dois dias por mês e dez dias por ano”, o que ele mesmo reconheceu que é “um certo retrocesso em relação às conquistas e à democracia”, declarou.

O aliado do chefe de estado beninense, o presidente francês Emanuel Macron celebrou o projeto da Zona Industrial de Glo-Djigbé (GDIZ), em um relato que consta na própria página oficial do centro de processamento.

Sem tecer nenhum comentário sobre as condições de trabalho dentro do local, Macron disse que “o projeto da GDIZ está a posicionar o Benim no caminho para uma economia industrial e de transformação”. E completou: “apoiamos veementemente este modelo econômico de valor acrescentado produzido em África, em benefício dos africanos.”

Investimento saudita e expropriação de terras no Chade

Fundada em 2010, o grupo Arise IIP, que desenvolveu a ideia das zonas econômicas e industriais a partir de parcerias público-privadas, já atua em 14 países de toda a África.

Em 11 de setembro deste ano, a investidora e desenvolvedora de infraestrutura do governo da Arábia Saudita, Vision Invest, anunciou o investimento de US$ 700 milhões na Arise IIP para expandir estes modelos de parques industriais por todo o continente.

O apoio saudita é uma das maiores captações de capital privado em infraestrutura na África. Hoje já há Zonas Econômicas Especiais como a do Benin, no Gabão e no Togo.

GDIZ foi anunciada pelo presidente Patrice Talon como grande projeto de industrialização do Benin | AFP
Em matéria publicada em 4 de abril de 2023, o jornal L’Humanité denuncia, a partir de relatos de camponeses e lideranças sindicais do Chade, a atuação da Arise IIP no país como uma “outra forma de colonialismo”.

A reportagem descreve que a Arise IIP foi criada como uma subsidiária da gigante singapurana do agronegócio Olam, no protagonismo de seu ex-diretor-geral, o indiano Gagan Gupta, que foi enviado pela Olam ao Gabão em 2008.

Em fevereiro de 2022, a Olam vendeu suas ações da Arise por US$ 189 milhões para a África Transformation and Industrialisation Fund (AtifF), um fundo de investimento com sede em Abu Dhabi e fundado em 2021 pelo próprio Gupta.

Foi o indiano que assinou, em 5 de novembro de 2022, um acordo com o Estado do Chade, no valor colossal de 763 milhões de euros, para criar a empresa Laham Tchad, na região de Moundou, a 400 quilômetros ao sul de N’Djamena, capital do país.

Mas os relatos da população chadiana reunidos na investigação apontam uma apropriação deliberada de terras camponesas, um “conjunto de indícios de corrupção” e “subornos às autoridades administrativas”.

“Muitos veem neste caso um escândalo emblemático da predação capitalista no continente africano, no qual se misturam camponeses espoliados, cidadãos em luta, ministros interessados, CEOs todo-poderosos, personalidades francesas e até mesmo… um bispo incorruptível”, diz trecho da reportagem.

Um dos trabalhadores do parque industrial no Benin alerta para as contradições deste modelo colocado pela Arise IIP em parceria com os chefes de estados africanos.

“Não trabalhamos para o Benin. Trabalhamos para os brancos. Eles têm dinheiro, podem investir em nós para mudar a nossa condição, para que também nós possamos usufruir dessa industrialização. Eles estão lá para lucrar. E pelo menos poderiam nos dar de comer, para que também possamos dar de comer às nossas famílias. É isso que pedimos”, finaliza o trabalhador.

Outro lado

O Brasil de Fato procurou os responsáveis pela Zona Industrial Glo-Djigbe e mandou questionamentos também ao Governo do Benin e a Arise IIP. Até o fechamento da reportagem não houve retorno. O espaço segue aberto à manifestação.

Editado por: Maria Teresa Cruz

Fonte:

Brasil de Fato

@bunkerdaesquerda @comunismo

#Benin #BrasilDeFato #Noticias #News #Africa #PatriceTalon #Patrice Talon

 

Eu li o título da matéria e achei tão absurdo, mas pensei ingenuamente que talvez fosse apenas um clickbait. Ninguém seria tão babaca de forma gratuita e desnecessário com seres humanos considerados legalmente incapazes ou portadores de necessidades especiais. Mas não. É exatamente isso que o título anuncia. Se quiserem ler a fonte é de um veículo super esquerdista InfoMoney – O jornal do Partido Comunista Argentino para quem não conhece... É ironia!

O governo da Argentina implementou uma nova regulamentação para a classificação da deficiência intelectual, resgatando termos considerados arcaicos e discriminatórios. A mudança, publicada no Boletim Oficial por meio da Agência Nacional de Deficiência (ANDis), utiliza nomenclaturas como “idiota”, “imbecil” e “débil mental” para definir diferentes níveis de comprometimento cognitivo. A decisão gerou forte reação de organizações da sociedade civil e especialistas em direitos humanos.

A nova classificação está presente no anexo do decreto que estabelece os critérios para concessão de pensões por invalidez laboral. No texto, pessoas que apresentam diferentes graus de deficiência intelectual são categorizadas conforme sua capacidade de ler, escrever, manejar dinheiro e realizar tarefas básicas do dia a dia.

O documento define, por exemplo, que “idiotas” não atravessaram a fase glósica, não leem nem escrevem e não conseguem viver de forma independente. “Imbecis” podem realizar tarefas rudimentares, enquanto “débeis mentais profundos” são descritos como capazes apenas de assinar o próprio nome e realizar trabalhos simples.

Resgate de decreto antigo

O modelo utilizado pelo governo Milei foi copiado integralmente de uma regulação de 1998 assinada pelo então presidente Carlos Menem, a qual já havia sido reformulada para se adequar às normas internacionais de direitos das pessoas com deficiência. A Argentina, como signatária da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da ONU, tem obrigação legal de respeitar diretrizes que promovem a inclusão e a dignidade dessa população.

Reação e críticas

Entidades que representam pessoas com deficiência e defensores dos direitos humanos classificaram a mudança como um retrocesso grave. A Associação Civil por la Igualdad y la Justicia (ACIJ) e outras seis ONGs entraram com um pedido formal para que o governo revogue a norma, argumentando que ela reforça estereótipos prejudiciais e desconsidera os avanços na compreensão da deficiência como uma questão social, e não apenas médica.

A publicação do decreto provocou forte indignação entre especialistas e famílias de pessoas com deficiência. Organizações de direitos humanos estão intensificando a pressão para que a resolução seja revogada e substituída por uma regulamentação alinhada com padrões internacionais de respeito e inclusão. A expectativa é que a ONU e outras entidades globais cobrem esclarecimentos do governo Milei sobre a decisão.

O governo não se manifestou oficialmente sobre as críticas até o momento.

Fonte:InfoMoney

@bunkerdaesquerda

#Argentina #America #AmericaLatina #Politica #FarRight #AlRight